A sessão deste mês de março do «n x Ciência às 5» versou a temática da fotogrametria e a forma como essa técnica permite conhecer e valorizar o património histórico que nos rodeia. Com efeito, trata-se de uma técnica que embora tenha tido o seu impulso no século XIX, com Aimé Laussedat (a primeira pessoa a usar fotografias terrestres para compilar mapas topográficos), sofreu uma alavancagem na sua utilização agora no século XXI por dois motivos: pela facilidade que o digital confere permitindo automatizar e acelerar processos e por outro lado, pelo aparecimento de algoritmos SfM (Structure from Motion (SfM), ferramentas que permitem a extração de informações tridimensionais a partir de imagens estáticas capturadas em 2D. Na prática, a fotogrametria (palavra que, etimologicamente, é composta por três palavras gregas: photós, que significa luz; gramma, que significa gravar ou escrever; e metria, que significa medir), é uma técnica de medição que recolhe informação a partir do cruzamento de duas ou mais fotografias, e cujo objetivo é captar com precisão as formas, posições e dimensões dos objetos no espaço. As medições são feitas a partir de fotografias e o princípio fundamental usado pela fotogrametria é a triangulação, criando-se depois objetos tridimensionais.
Numa linguagem acessível e envolvente, o Professor Ricardo Almeida, docente que leciona no Instituto Politécnico de Viseu, mostrou-nos variadíssimos exemplos de como a fotogrametria possui elevado potencial já que revela detalhes intrínsecos aos objetos estudados e que a olho nu não são visíveis. Com efeito, a mais valia desta instrumentação é conseguir perceber o não visível. O docente passou ainda exemplos da aplicação destes métodos a edifícios seculares, pontes quinhentistas, mas também pinturas em madeira de valor inestimável (fez referência ao mais recente projeto de parceria com o Museu Nacional Grão Vasco), e no fundo, mostrou como a ciência é um forte aliado na preservação do nosso património.
Foi, pelos motivos apontados, uma sessão entusiasmante e muitíssimo enriquecedora. Agradecemos ao Professor Ricardo Almeida, e uma vez mais ao Espaço Miguel torga pela disponibilidade em acolher estas sessões que têm a missão de esclarecer e contribuir para debates cientificamente sustentados.
A equipa do «n x Ciência às 5»